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sábado, 14 de agosto de 2010

FALTA DO DIA

FALTA DO DIA
Hoje não tem almoço, não tem janta.
só tem fração de minutos, de horas.
Tem inflação, muitos pedidos
e poucos atendimentos.
Alguem despenca do pedestal.
O equilíbrio desiquilibrado,
um berro no leito nacional.
Hoje não almoço, não tem janta.
Tem fatia de discórdia, tira gosto de chumbo.
A guerra não é aqui, mas tem alguem daqui,
do lado de lá.
Estão pintando peitos com as cores do arco-irís,
e não vejo ninguem com ar de ser feliz.
Tem morte no morro e sangue no asfalto.
Estão matando o meu sorriso e desconhecendo
o meu pedido de perdão.
Encontro flores, mas não encontro o paraíso
Mas se não tem almoço, se não tem janta;
aperto o sinto de segurança, porque um corpo
não pode cair.
J Vieira

Um comentário:

  1. Mais um excelente poema, meu caro. O eu lírico esquadrinha a condição humana perante as mazelas sociais, revelando certa impotência, a despeito de tentar fazer algo. “O equilíbrio desequilibrado”... Tudo parece normal no sistema... Eles querem nos fazer acreditar!

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