MENINO DE CALÇA CURTA
Conheci um menino de calça curta e rasgada,
Que mal dizia da vida de um destino,
Que a sorte desvirtuava.
Esmolava o seu pão de cada dia na calçada,
E sobrevivia com as migalhas
Dos que passavam na rua.
Na fraca claridade de um canto sem graça,
Pedaços de jornais era uma pobre
E mesquinha cobertura.
Cobertura que mal lhe cobria o corpo
Esticado num banco da praça,
A tremer no frio da noite, que lhe fazia tortura.
Embora houvesse na multidão,
Alguns sorrisos amenizados,
Suavizando a crueldade do momento;
O seu peito enchia-se de mágoa,
Por ver uma sociedade de imensa frieza.
Fazia pena ver aquele menino tão frágil, tão pequeno,
Com os olhos tão frios e cheios de tristeza.
Assim ele ia passando as noites mal dormidas,
E os dias mal nutridos.
Hoje não há quem diga ou acredite,
Nos reveses irônicos da sua vida,
De poucos favores e de muitas brigas.
Ele já foi pedinte e mascate;
Ajudante de tudo e marmiteiro.
Vitória teve um grande engraxate,
E de sentir esse orgulho:
- Ele é o primeiro!
Agora, vendo e revendo o tempo vivido...
Juro que o progresso desse menino me comoveu.
E hoje, na luta que me vejo envolvido,
Às vezes, até duvido,
Que esse menino sou eu.
J Vieira
Conheci um menino de calça curta e rasgada,
Que mal dizia da vida de um destino,
Que a sorte desvirtuava.
Esmolava o seu pão de cada dia na calçada,
E sobrevivia com as migalhas
Dos que passavam na rua.
Na fraca claridade de um canto sem graça,
Pedaços de jornais era uma pobre
E mesquinha cobertura.
Cobertura que mal lhe cobria o corpo
Esticado num banco da praça,
A tremer no frio da noite, que lhe fazia tortura.
Embora houvesse na multidão,
Alguns sorrisos amenizados,
Suavizando a crueldade do momento;
O seu peito enchia-se de mágoa,
Por ver uma sociedade de imensa frieza.
Fazia pena ver aquele menino tão frágil, tão pequeno,
Com os olhos tão frios e cheios de tristeza.
Assim ele ia passando as noites mal dormidas,
E os dias mal nutridos.
Hoje não há quem diga ou acredite,
Nos reveses irônicos da sua vida,
De poucos favores e de muitas brigas.
Ele já foi pedinte e mascate;
Ajudante de tudo e marmiteiro.
Vitória teve um grande engraxate,
E de sentir esse orgulho:
- Ele é o primeiro!
Agora, vendo e revendo o tempo vivido...
Juro que o progresso desse menino me comoveu.
E hoje, na luta que me vejo envolvido,
Às vezes, até duvido,
Que esse menino sou eu.
J Vieira

Que poema, que poema! Digno de reverência. No começo, fez-me lembrar de “O bicho” de Manoel Bandeira – “Vi ontem um bicho/ Na imundice do pátio/ Catando comida entre os detritos./ Quando achava alguma coisa; / Não examinava nem cheirava:/ Engolia com voracidade./ O bicho não era um cão,/ Não era um gato,/ Não era um rato./ O bicho, meu Deus, era um homem.” Depois, já no final, fez-me lembrar de você, um exímio poeta, que já reconheço, à medido que me delicio lendo suas produções. Abração.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirReal, comovente e lindo!!
ResponderExcluirMeus Parabéns!
Abração.