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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

TARDE

Tarde que arde no peito covarde.
Que invade com muita saudade,
O homem descrente, o homem que sofre
E o homem que mente.

Tarde de gente de todas as idades,
De muitos desejos e muitas vontades.
Tarde do cão que morde, do gato que corre.
Do sonho que morre e das águas que escorrem
No rio e nos olhos, entre risos e dores.

Tarde sem dono, do castigo do outono,
Das flores que murcham e se deixam em abandono.
Tarde dos olhos tensos, trânsito intenso.
Das horas que choro, das horas que penso.

Tarde da mulher que ama, da mulher que engana.
Da mulher que trai, e da mulher que atrai.

J Vieira

Um comentário:

  1. Mais um poema singelo, no entanto, profundo, que toca o nosso cerne, fazendo-nos sentir especial – isso é arte. Sinto um misto de alegria e tristeza, não sei explicar. Um pedaço da tarde, um mísero instante do dia, que fez diferença para todos nós... e a vida segue...

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