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domingo, 8 de maio de 2011

SÚPLICA DE UM ÉBRIO

Bem que você podia voltar.
Podia me perdoar.
É tão chato ficar triste!
Nunca gostei de tristeza.
Se você voltasse, eu não seria mais cachaceiro.
Não seria mais farrista,
Seria até artista para lhe contentar.
Se você voltasse
E esquecesse essa idéia de desquite,
Eu deixaria de ser biriteiro e lhe comprova
No décimo terceiro, um vestido chique.
Se eu tivesse você de novo,
Enfeitaria este barraco com rosas de toda cor,
Tomava um banho de perfume para você me beijar
Com amor.
Se você voltasse correndo,
Iria ter tudo com um novo teor.
Aquele bafo de cachaça,
Eu trocaria por amor.

J Vieira

Um comentário:

  1. Maravilhoso, maravilhoso! Estou até sem palavras. O eu lírico, saudosista, consegue equilibrar a balança, deixando o clima em tom leve e humorado e, no entanto, na profundidade de sua complexidade (como se dá com qualquer ser humano), há peso e seriedade nas palavras do ébrio, de modo que ele acerta no papel de transmitir esse misto de sentimentos contraditórios. Como um bom vinho, eu saboreei e sorvi cada palavra. Esta embriaguez linguística ainda me mata!

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