IDEAL PRIMITIVO
Eu não queria estar agregado nesta sociedade metálica.
Andar metalicamente.
Queria estar capinando a terra,
Deitar no pasto e sentir o vento puro, que cada dia,
Eu me afasto
Não queria ter este rosto envidraçado,
As lágrimas estagnadas num tubo químico.
Queria que as minhas lágrimas caíssem na relva
E engravidasse este mundo com partículas de amor.
Não queria ler este jornal de assassinatos e corrupções.
Não queria estar no asfalto,
O meu desejo era pisar no chão.
Mas esta ruptura que divide a vida
Nega-me o desejo primitivo.
Eu queria, mas não posso.
Mesmo que pudesse,
Já não vale mais a pena.
A roça de hoje não tem gosto de fruta,
Tem gosto de coca-cola.
J Vieira
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Magistral, magistral! Essa é a palavra que resume o seu poema. O "ideal primitivo" do eu lírico coincide com o meu. Um ideal do tempos remotos de nossos ancestrais; tempos que, de certo, não voltam mais. Esta selva de pedras que nos encontramos subjuga-nos a cada instante e nós, cabisbaixos e impotentes, seguimos sem liberdade. O controle é deles, a obediência é nossa... E tome coca-cola!
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