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sábado, 8 de janeiro de 2011

UM PEDAÇO DE MOLAMBO

Rasgaram a minha roupa,
Tentaram pintar o meu sangue de azul,
Meu peito de roxo.

Falaram palavras sem alicerce,
Esfolaram a minha virtude.
Tentaram remover a minha atitude,
Mas não mudei, estou aqui.

Estou mais lapidado,
Ou melhor, mais surrado, mais encardido,
Mas pisando no mesmo chão
E ouvindo as mesmas desculpas.

A chuva que cai no outono
É a mesma que molha o meu sono,
E o meu sono é um sonho de tempestade.

Estou aqui. Sou o rosto que alguém bateu,
A cara que alguém cuspiu.
Não sou divisa e nem contemplação.
Não sou abstrato.
Existo.

Vou morrer de amor, mas de amor,
Nascem todos os sonhos.
Não mudei, estou aqui!

Sou a porta que alguém fechou,
A escada que alguém subiu.
Sou um pedaço de molambo
E faço parte de um pedaço do pano
Da Bandeira do meu Brasil.

J Vieira

2 comentários:

  1. Mais um belo poema, no qual o eu lírico, apesar de ser um produto do meio em que vive e, por conseguinte, também ser usado como matéria para outros produtos, permanece firme, consciente de sua existência e seu papel neste imenso palco.

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  2. oi amigo eu adorei td parabens e que DEUS ti ilumine sempre bjsssss cida montanhini

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