UM PEDAÇO DE MOLAMBO
Rasgaram a minha roupa,
Tentaram pintar o meu sangue de azul,
Meu peito de roxo.
Falaram palavras sem alicerce,
Esfolaram a minha virtude.
Tentaram remover a minha atitude,
Mas não mudei, estou aqui.
Estou mais lapidado,
Ou melhor, mais surrado, mais encardido,
Mas pisando no mesmo chão
E ouvindo as mesmas desculpas.
A chuva que cai no outono
É a mesma que molha o meu sono,
E o meu sono é um sonho de tempestade.
Estou aqui. Sou o rosto que alguém bateu,
A cara que alguém cuspiu.
Não sou divisa e nem contemplação.
Não sou abstrato.
Existo.
Vou morrer de amor, mas de amor,
Nascem todos os sonhos.
Não mudei, estou aqui!
Sou a porta que alguém fechou,
A escada que alguém subiu.
Sou um pedaço de molambo
E faço parte de um pedaço do pano
Da Bandeira do meu Brasil.
J Vieira
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Mais um belo poema, no qual o eu lírico, apesar de ser um produto do meio em que vive e, por conseguinte, também ser usado como matéria para outros produtos, permanece firme, consciente de sua existência e seu papel neste imenso palco.
ResponderExcluiroi amigo eu adorei td parabens e que DEUS ti ilumine sempre bjsssss cida montanhini
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