NA PEDRA DO MUNDO
Tenho o céu na mão e não posso esmagar.
Não posso, porque o céu não é meu.
A saliva da boca me deixa com a língua pesada,
E mergulho na sede ser feliz.
Mergulho, mas não acho o ponto de encontro,
Porque o encontro é feito de separação.
Não posso arriscar o que o coração palpita;
Não posso, pois mesmo sem querer, eu me aproprio.
Aproprio-me e ocupo um espaço adquirido
Por aquele que não quer ocupar.
Mas me aproprio e ocupo.
Às vezes, até tento me vestir de forte,
Para enfrentar a faca que me corta.
Tento, mas descubro, de repente, que,
O sangue do meu peito esfaqueado,
Serve de tinta para alguém escrever
A paz na pedra do mundo.
J Vieira
Tenho o céu na mão e não posso esmagar.
Não posso, porque o céu não é meu.
A saliva da boca me deixa com a língua pesada,
E mergulho na sede ser feliz.
Mergulho, mas não acho o ponto de encontro,
Porque o encontro é feito de separação.
Não posso arriscar o que o coração palpita;
Não posso, pois mesmo sem querer, eu me aproprio.
Aproprio-me e ocupo um espaço adquirido
Por aquele que não quer ocupar.
Mas me aproprio e ocupo.
Às vezes, até tento me vestir de forte,
Para enfrentar a faca que me corta.
Tento, mas descubro, de repente, que,
O sangue do meu peito esfaqueado,
Serve de tinta para alguém escrever
A paz na pedra do mundo.
J Vieira

Mais um belo poema, construído através de um lirismo dilacerante. Simplesmente a mola propulsora de um poeta, o seu bojo, a fonte de onde ele bebe, é a dor que ele sente, que nós sentimos... e nunca para de doer. Parabéns mais uma vez. Estarei sempre aqui.
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